Capítulo 13 - Feliz 2019 e nossos primeiros dias de ano novo.
E finalmente chegou, segunda feira 31 de dezembro de 2018! Nossa primeira vez passando além do Natal a virada do ano longe dos amigos e família.
São 9h da manhã e nos levantamos para ir ao banco sacar um dinheiro e ir ao correio tentar enviar meus cartões de vale alimentação que trouxe do Brasil ( VR, Sodexo e Alelo ) para minha mãe usar os créditos que sobraram neles.
A minha única frustração aqui é não saber a língua japonesa pois as vezes, por ser descendente, a discriminação é uma realidade aqui e tenho sentido isso um pouco na fábrica.
Nos correios foi em vão os 40 minutos que ficamos lá tentando me comunicar com o atendente que não fez nenhum esforço em querer me ajudar a enviar a correspondência para o Brasil e depois consultando o Caio e Hellen, descobri que ele poderia ter escrito os números ou valores que eu deveria inventar pelos cartões. Talvez, se fosse a Patty, que não tem descendência alguma, ele se esforçasse um pouco mais em ajudar, porém, descobri essa barreira da língua pela segunda vez aqui. Estou estudando, mas estou achando melhor procurar uma escola.
Voltamos para casa, depois de passar no seven e pegar nosso almoço, comemos e depois fomos arrumar as malas e esperar o Caio e Hellen vir nos buscar a tarde.
Uma viagem de mais ou menos 1 hora e meia com uma parada num tipo posto de conveniência como o Frango Assado, para vocês entenderem, mas muito gigante e cheio de opções para comer e lembro de ter lá um Starbucks.
Enfim, chegamos em Hamamatsu na casa dos tios da Hellen situado na parte central da cidade, uma casa de 3 andares que um dia foi um estúdio fotográfico e até tinha ainda uma faixada do antigo estabelecimento. Pelo tamanho da casa e a localização central me espantei com o valor do aluguel pois aqui que é um apartamento pequeno a empreiteira irá cobrar o equivalente a 47000 ienes enquanto lá, 3 andares e bem amplo, apenas 50000.
Meu novo amigo Oscar.
Ao descer do carro e ajudando a descarregar as coisas surge um senhor japa, o Oscar e juro que enxerguei nele um EU no futuro.
Entramos e fomos apresentados a Eliana, tia da Hellen que não tem descendência nipônica. O mais engraçado desta história é que o Caio é descendente e a Hellen não e estávamos na casa dos familiares dela que são casados com descendentes de japas.
Nos instalamos e o senhor Oscar sentou a mesa comigo na cozinha e começamos a conversar e descobri um passado e tanto daquele senhorzinho japa que passou por muitos perrengues em sua vida. Quem diria que ele foi neto de samurai autentico e na sua adolescência no Brasil, pertenceu a um grupo daqueles de gangue nos anos 50 a 80 onde a diversão era arrumar brigas em festas de cidades vizinhas e detalhe, ele era da Zona Leste de São Paulo.
Ele me contou também de sua doença que até então era incurável e na época, já no Japão, retornou ao Brasil para tentar um tratamento, porém, sem chances e só gastou seu dinheiro lá em exames que não saiam e um atendimento horroroso.
Retornou ao Japão e tentou um tratamento e descobriu que o Japão estava desenvolvendo um tratamento mas ele seria uma espécie de cobaia porém, se tratava de um tratamento muito alto e ele conseguiu o apoio do governo aqui para seguir em frente e de 1000000 de ienes cada injeção, ele conseguiu reduzir para 10000 ienes.
Um ano e meio de tratamento rigoroso e conseguiu finalmente se livrar do vírus da Hepatite C que hoje tem cura aqui no Japão e essa história tem apenas 2 anos.
De tudo que ele contou, talvez essa tenha sido a história mais emocionante para mim pois meu pai não teve a mesma sorte que ele pois faleceu de hepatite B. Então, para os que tem parentes ou mesmo esta maldita doença, ela tem cura sim e é só seguir rigorosamente o tratamento como ele fez.
Fomos então passear pela primeira vez em um shopping japonês que na realidade, é igual a qualquer um do Brasil, porém com uma diferença nos preços e promoções. Lá, fomos em busca de uns presentes que eles vendem já prontos para essa época que são caixas com doces, bolachas etc.
Neste shopping vi pela primeira vez uma loja de bike com as mountains bikes de meus sonhos, mas e os preços? Bom, no Brasil, devido aos altos impostos, tributos e a ganância dos empresários em terem lucros exorbitantes, o preço final ao consumidor chega a uns R$ 35000,00. Pelo menos as que eu encontrei neste shopping estavam na nossa moeda entre 9000 e 12000 reais.
Meu sonho!! E muito acessível aqui para comprar!
Caro mesmo assim para muitos e para vocês terem idéia o valor da Santa Cruz e da Trek que me interessei da pra comprar um ótimo carro aqui e com um salário apenas e você deve estar se perguntando, como assim?
No Brasil, uma bike dessas para mim seria impossível em ter pois, no mínimo teria que dividir no máximo em 10 vezes. Aqui, para você ter ideia com no máximo um salário e meio você compra um ótimo carro ou uma bike de seus sonhos. Será que um dia no Brasil nosso salário terá esse poder de compra? A igualdade social quanto a bens materiais você percebe pois não há por exemplo distinção do mais rico para o mais pobre comparando-os pelo carro que tem então, tudo é acessível a todos e o mais importante, você paga tudo no dinheiro.
A Patrícia ficou doida com a quantidade de bichinhos de pelúcia que ela tanto ama e lógico que não ia deixar de comprar um Gremilins para ela e comer um Donuts de Pickatchu.
Voltamos para a casa da tia dela e lá chegaram os primos da Hellen, o Zezinha, Carol e o casal de filhos que brincavam na sala conversando no melhor "nihongo" que deu inveja.
Todos aqui já estavam há um bom tempo por terras nipônicas e a filha frequenta a escola japonesa onde aprendeu primeiramente a língua japonesa e depois em paralelo o português.
Logo mais chegaram outros convidados e o Caio foi para a chapa, como nos velhos tempos de trailer de lanche em Caçapava e colocou as fatias de picanha e alcatra que ficaram temperadas com os alhos que preparei e não poderia ter ficado melhor!
A ceia foi assim, carne saindo da chapa, um strogonoffe maravilhoso da Eliana que coloca azeitonas e juro que não como mais um desses sem essa iguaria. De sobremesa tinha muita coisa como bolos, pavê, mousse de maracujá da Hellen, gelatina colorida e muita fruta.
Me senti no Brasil e a energia boa daquelas pessoas exalavam em suas histórias e sem contar o karaokê do Oscar que até eu cai na onda e lá se foram os Legião, Sérgio Reis, Roupa Nova e etc.
Meia noite e meio dia no Brasil e a virada aqui só foi igual com o calor dos abraços entre todos nós porém sem barulho ou comemoração alguma lá fora e isso é muito estranho para mim acostumado ao barulho em casa das pessoas se cumprimentando e ouvindo os rojões ( que eu odeio por respeito aos animais ) porém o principal estava ali no abraço de cada um que foi tão importante pois significou para muitos, acredito eu, que na cabeça de cada um imaginando abraçar um ente querido.
Feliz 2019
Me deitei lá pelas 2h depois de comermos a sobremesa e conversar mais com o pessoal mas aqui, o sono chega logo para mim. O curioso dessa noite foi dormir pela primeira vez numa cama aqui no Japão por que dormimos no chão em futon e tivemos que deixar o ar quente ligado desde que chegamos pois dormimos no terceiro andar e lá é muito frio!
Acordei as 7h no meu primeiro dia do ano nesse país ao som dos tambores japas tocando freneticamente numa estação de trem bem próxima então passei a ler algumas mensagens no celular de repente bateu uma saudade enorme de todos e de tudo do Brasil e me vi chorando e a Patty acordou e percebendo a situação com um abraço veio me acalmar. Creio que a ficha caiu ali sentindo a ausência de familiares, amigos e coisas simples que amávamos fazer como ir ao shopping pra andar apenas.
Mais tarde, levantamos e descemos para tomar café e fui até a rua com o Zezinha e o tio Bolinha e estava uma manhã linda com o céu azul e um sol forte, porém, um vento gelado para atrapalhar como sempre. Logo mais arrumamos as malas, nos despedimos da Eliana e Oscar e fomos ao shopping e nos despedimos de todos e seguimos em direção à Hekinan cidade onde o Caio e Hellen moram antes de chegar na casa deles, paramos no Saizeriya para um jantar.
Chegamos ao lindo e aconchegante apato deles e é tão boa a sensação de estar tão longe do Brasil e encontrar pessoas com um coração imenso e nos tratar como antigos amigos e isso vi neles e em todos que fizemos amizade aqui. Serei eternamente grato ao Caio e Hellen pela preocupação de nos fazer sentir à vontade e tenho certeza que assim vamos construindo nossa família aqui no Japão e para a vida toda.
A noite o Caio me mostrou um violão que ele pagou uns 30 reais apenas ou 1000 ienes, e aproveitei e passei os acordes de "Come as you are" do Nirvana e não é que ele leva jeito pra coisa? Tomamos banho e depois de assistir um filme de anime fomos dormir.
Ao acordar, o plano era passear, porém a Patty quis voltar para casa então simplificamos os passeios indo para Nagoya onde eles nos levaram para conhecer um calçadão imenso e um comércio que vendia de tudo, inclusive uma loja brasileira vendendo frango assado e numa loja de um turco, produtos brasileiros.
Curiosidades muitas como uma fila quilométrica para ir a um templo fazer os agradecimentos ou fazer pedidos, um outro templo de cachorros e o mais estranho, um bar com vidros translúcidos onde lá dentro, japas velhos sentados à mesa com meninas japas dançando com roupas curtas iguais as de desenho de anime.
Tem coisas estranhas assim no Japão como um bar aqui perto de casa em que você entra e paga para uma japinha fazer companhia e levar conversa a fora e o lucro desses estabelecimentos é o que você consome e banca a sua escolhida porém, não se trata de um "puteiro" onde se busca sexo, mas sim uma companhia para conversar ou desabafar não sei.
Saímos de lá e demos uma volta pelas ruas de Nagoya e não comentei, mas meu amigo de São José chegou nessa cidade no dia 27 para visitar sua irmã Thais ( nós três dávamos aula no mesmo colégio ) cujo marido foi transferido para o Japão a trabalho.
Quando cheguei e postei que estávamos lá, o Thiago mandou uma mensagem que saindo rumo a Osaka mas, espero que nos encontremos antes de irem embora e aliás, preciso encontrar com eles para pegar os remédios que ele trouxe para eu suportar a inflamação que ainda não curou por completo. Os remédios daqui do Japão são mais fracos que no Brasil e para você comprar por exemplo, algo parecido com dipirona, você tem que ter ir ao médico e pedir receita.
Voltamos então para Makinohara e passamos na mesma parada quando fomos para Hamamatsu, o tal do "Frango Assado" aqui do Japão. Depois de comer, fomos dar uma volta lá fora contemplar o lindo por do sol tomando sorvete à uma temperatura de 8°C. Acho que foi o mais lindo por do Sol que vi pois atrás desta parada, tem uma espécie de praça com um jardim de árvores com galhos secos e uma vista para um lago que no mapa é uma extensão do mar que ali chega, realmente lindo!
No meio do caminho a Hellen avistou um shopping e desviamos nosso caminho para conhecer. Gente, shopping é igual em qualquer lugar, menos em Jacareí que parece o shopping centro de São José ( ou seja, uma galeria com andares, rindo aqui... ). Andamos por ele todo e paramos numa loja bacana de utensílios domésticos e a Patrícia comprou um rack para a tv e um armário além da minha panela grande para estourar pipocas.
Chegamos em casa umas 21h e aqui ficamos conversando bastante e a vontade era que eles ficassem mais com a gente, mas aí eles partiram e deixamos marcado outros encontros e espero logo estar habilitado e com um carro para visita-los e então para nós esse foi o fim de nosso feriado com passeios.





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