Capítulo 14 - Rumo ao primeiro fim de semana do ano: Arrumando a casa.

Na quinta logo cedo, fomos visitar o Sidney e Akiko pois não tivemos a oportunidade de vê-los, nem no inexistente Natal Japonês e na passagem de ano. Chegamos lá e logo em seguida apareceram a sobrinha dela com o namorado do Brasil e a filha e genro que moram no mesmo condomínio e fomos todos almoçar no restaurante brasileiro Gordinho, um restaurante tipo Churrasquilo ( com menos da metade das opções, lógico ) mas confesso, que foi só pra matar saudade do Brasil pois falta o sabor e o tempero que estávamos acostumados.

Saindo de lá fomos a um petshop que tem muitos bichos exóticos além de cães que são a ostentação desse país e devo ter comentado que no Japão, é mais fácil você criar um filho que ter um cachorro de estimação além de serem mais caro que um carro de luxo.

Adquirindo um pet, você assina um atestado de responsabilidade sobre o bichinho que é monitorado através de um chip implantado além da burocracia de vários termos que você tem que assinar mas, deu uma dor no coração ver o comércio de animais silvestres privando-os de sua vida natural.
Nosso objetivo no passado, quando optamos em comprar nossos coelhos, ratos, porco da índia e criar rãs e adotar nosso gambá (doente) era em dar amor e maior conforto a eles com medo de alguém os comprar, maltratá-los ou abandoná-los.
                                                                     Nossos filhos.
Voltamos então para casa e como sempre, capotei e umas duas horas depois a Patty me acorda dizendo que o Sidney ia passar em casa para ir numa casa de Games em Hamamatsu. Chegando lá, percebi o quanto é diferente a vida dos japas que ao invés de curtir uma balada, preferem torrar todo seu salário em jogos de azar ou em casas de games. Juro que fiquei espantado com as máquinas que vi lá e pensei se estava em nosso planeta mesmo ou era um sonho.



Eu e o Sidney não ficamos nem dez minutos lá, demos uma olhada como era e saímos correndo para uma loja de usados, a second street e lá finalmente achei meu fone sem fio e barato demais e ele, lógico, achou mais um boneco para sua coleção e então, voltamos à casa de games e deu tempo de matar uns zumbis com a Patty.
                                                                   Meu fone sem fio...
Voltamos para casa, a Patty foi dormir e eu fiquei na internet procurando por mansões mal assombradas no Japão e filme sobre a floresta do Aokigahara ( a floresta do suicídio ) que a Akiko e Sidney passaram bem lado no dia 31 e disseram que sentiram uma energia muito ruim vindo de lá, mesmo não descendo do carro e repararam também, na ida ainda de dia, carros e bicicletas abandonadas à beira da estrada, provavelmente de pessoas que adentraram a floresta em busca de respostas ou da morte.
Na volta para casa, pela mesma estrada, a Akiko viu um rapaz de meia idade descendo da moto, bem ao lado de uma entrada para a mata e com certeza, mais um número para entrar na estatística de suicidas. Em torno da floresta, existem mansões todas abandonadas e provavelmente esta história de espíritos é levada mesmo a sério pelos japoneses e vamos ver se um dia desses, vou para lá comprovar tudo isso e compartilho a experiência com vocês.
A história de espíritos aqui é tradicional e faz parte da cultura japonesa, eu ouvi relatos de muita gente que sente a presença deles, seja na fábrica, em casa ou nas ruas. Quando a pessoa morre sua moradia fica totalmente abandonada e os familiares deixam todos seus pertences intactos lá dentro, inclusive quantias em espécie e ninguém ousa ou pensa em entrar para se apoderar disso.
Esses dias mesmo, um funcionário de uma empresa de reciclagem de lixo achou 28 milhões de ienes e entregou à polícia que hoje investiga quem era o dono daquela quantia, caso não o encontrem, a fortuna fica com o funcionário que achou ou vai para a empresa que ele trabalha.
Na sexta de manhã, o Sidney me chamou para ajuda-lo a pegar numa cidade vizinha alguns eletrodomésticos e móveis que uma amiga da Akiko estava doando.
Como a amiga dela estava de mudança, ela estava doando tudo da casa e eles pegaram a geladeira e armários, eu logo me apossei de uma panela novinha de Gohan ( arroz ) e um aquecedor a querosene. Tinha ainda um sofá e mesa de cozinha que eles pegaram para doar para o rapaz que esqueceu a mala no aeroporto quando chegou.
Nessas idas e vindas ganhamos do Sidney e da nora dele alguns armários de cozinha e assim nossa casa começa a ficar mais "cara de casa" pois não tínhamos nada além de uma mesa. Na sala, a Patty comprou um rack para a tv e um armário para ela colocar fotos, bichinhos e etc. Depois disso tudo, Sidney e Akiko passaram em casa e fomos almoçar no Sukyia e depois disso, cama.
No sábado de manhã, acordei, conversei com o Caio e como estava uma manhã linda e ensolarada, peguei a bike e fui dar uma volta alimentar umas carpas num rio ao lado da casa do Sidney e lá como sempre, vi patos e tartaruga.
As carpas aqui são desconfiadas pois quando você joga o pão no rio, uma delas fica rodeando, sobe a superfície, rodeia o pedaço de pão e enrola até experimentar o primeiro pedaço a assim as outras logo em seguida passam a devorar as migalhas que jogamos para elas. Nessa trilha beirando o rio pude matar saudade de andar na terra com a bicicleta da fábrica e na volta pra casa, continuei por ela e sai na rua atrás de casa onde vi mais patos e carpas.




Chegando em casa, fomos ao supermercado, almoçamos e recebemos a visita do Douglas e esposa lá de São José dos Campos e que trabalham com a gente e passamos a tarde conversando e ouvindo as aventura dos dois em se arriscar aqui a ir para as cidades vizinhas de ônibus e trem, coisa que eu e a Patrícia nunca tivemos coragem com medo de nos perder e não saber lidar com a situação.
Após eles irem embora, fomos jantar na casa do Sidney onde matamos a saudade de comer coxinha, empada e bolinho de carne além de um churrasco que ele faz numa chapa elétrica. Nunca na minha vida dei tanto valor a esses salgados que é muito comum encontrar em qualquer boteco de esquina no Brasil, mas vivendo aqui no Japão, mesmo por pouco tempo as mínimas coisas fazem falta e acho que o resto da história vocês já sabem, voltei pra casa e cama.


Esse feriado, chamado aqui de yassumi foi o equivalente a passar 30 dias de férias, porém, como somos terceirizados foram 10 dias não remunerados mas deu para repor um pouco da energia para enfrentar mais quatro meses para o próximo feriado.
O balanço desse nosso primeiro feriado foi de fazermos novas amizades, conhecermos novos lugares mas tive uma péssima notícia do Brasil. O inquilino que arrumamos para ficar em nosso apartamento no Brasil, desistiu dele um dia antes de se mudar para lá. Uma grande dor de cabeça para mim pois estava tudo certo e ele era uma pessoa que confiei demais pelo cuidado que ele tem com tudo. Resolver isso agora distante será uma grande dor de cabeça e nós contávamos com esse dinheiro que iria entrar, mas enfim, não era pra ser e desejo muita sorte no rumo que ele decidiu tomar em relação a vida profissional dele.
E encerro aqui nessa manhã de domingo que estava ensolarada, mas mudou totalmente tomando lugar um céu cinza e triste, coisas do domingo, nosso último dia de descanso. 

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