Capítulo 1 - Onde tudo começou...

Cá estamos no Japão!! Quem diria que um dia moraríamos do outro lado do mundo?
Primeiro vou me apresentar. Meu nome é Ricardo Takamatsu, engenheiro mecânico industrial, matemático e professor de física e minha esposa, Patrícia Becherini que trabalhava como designer gráfico em uma agência de publicidade e era tatuadora.
Além de professor, fui músico durante muito tempo com bandas sempre de rock, punk, metal ou hardcore, em que fui baixista e baterista, e até com uma delas, o Dotô Jéka, fomos no programa da Xuxa e Jô Soares nos anos 90.
Mas a banda Desgraceira foi a que mais me deu prazer em fazer aquilo que eu queria que fundei com meus melhores amigos de adolescência: Leonardo e Jeffinho ao qual chamamos o Luiz Artur para fazer os vocais.






                                                                  Banda Desgraceira

Cansado de minha rotina como professor, somando a desvalorização total desta classe por um governo corrupto que sempre deixa de lado a educação e nas particulares que lutávamos por um  salário melhor. Além disso, e a falta de interesse e respeito por parte dos alunos? Melhor nem comentar né?
Meu equilíbrio foi encontrar aos fins de semana na " MTB - montain bike" a fim de cuidar da minha saúde mental para aliviar o estresse de 52 aulas semanais.






                                                 Grupo de MTB de São José dos Campos




Em junho, antes das férias escolares fui buscar minha esposa no trabalho e cansado de tudo aquilo virei pra ela e disse: 
-Cansei! Não aguento mais essa vida! Tanta dedicação para nada?? 
Vou para o Japão! 
E então, a partir desse dia, durante as férias de meio de ano começamos o projeto "Japão".
A ideia inicial era eu vir sozinho, mandar o dinheiro para quitar as contas e preparar o terreno para a  minha esposa Patrícia vir depois. 
No Brasil, nossos salários não davam conta dos gastos devido ao altíssimo imposto de renda, que para mim era o castigo por trabalhar em mais de 5 escolas com o objetivo de um salário razoável e como resultado disso, uma elevada dívida com o Imposto de Renda anual que quando juntavam todas as escolas eu pagava uma fortuna que não condizia com o que eu recebia. Era em torno de R$ 13000, 00 que dividido em 8 vezes com juros a cada DARF, daria para pagar várias contas estourando meus limites de cheque especial e tinha sempre que recorrer a empréstimos.
Aproveitando o período de férias de meio de ano, passei a contatar com brasileiros que estavam no Japão, inclusive meu primo que muito me ajudou nessa empreitada e meu amigo Sidney, o responsável por me mostrar essa opção de mudança de vida. Nessas férias então, estudei um pouco da língua e fomos a São Paulo, no bairro da Liberdade, em busca de agências e empreiteiras que enviam pessoas para o Japão.


Nosso passaporte só saiu em agosto. A partir dai, o projeto começou a tomar forma e então era esperar os documentos que meu primo enviaria do Japão. Chegando a papelada, voltamos a São Paulo e na primeira agência que fomos, durante a conferência dos documentos, foi constatado que havia um problema com o contrato de trabalho então saímos em busca de outra agência onde no meio do caminho, decidimos que iriamos juntos nessa viagem.
Nesta segunda agência, enquanto a Patrícia expunha nosso objetivo da viagem, a moça estava rindo com uma mão na boca e a outra apontada para a Patty e logo comentou que devido às tatuagens, não seria possível arrumar emprego no Japão devido ao preconceito. Saímos de lá putos da vida e a Patrícia ao meu lado, tadinha, com as mãos embaixo do sovaco, igual aqueles MC manos, escondendo as tatuagens.
Não desisti e sendo persistente, lembrei da agência que o Sidney me recomendou, a HBN. Lá foi diferente. O senhor Hilton falou da possibilidade de trabalhar numa indústria de alimentos em Gifu, porém, um salário não muito agradável, mas era o que tinha e topamos.
Já em casa, o Sidney, que o conhecemos por entregar marmita na agência de publicidade que a Patty trabalhava e na semana que eu sofri um grave acidente de MTB em Guararema, ela pediu que ele entregasse uma marmita em casa, pois eu não conseguia andar, devido ao joelho todo infeccionado da queda. Ele então subiu para fazer a entrega e ali começou uma grande amizade e sempre ele comentava: - EU VOU PRO JAPÃO! Vocês vão ver!
Enfim, através do Sidney, conseguimos uma entrevista direto do Japão, por vídeo via Whatsapp com o senhor Denis, que gostou muito de nós e abriu a oportunidade de continuarmos sonhando. Iríamos então trabalhar na Koito, fábrica de faróis da Toyota e Honda.
A partir de setembro, demos entrada no visto e começaram os 45 dias mais angustiantes de nossas vidas, prazo para o visto ser aprovado. Coloquei então, minha bike e carro para venda para levantar um montante para passagem e passar um mês no Japão sem salário. Para continuar pedalando, um grande amigo e ex aluno, o Carlão me emprestou a bike que ele mais gostava! Isso são coisas que não esqueço do Brasil, a amizade.


                                                   Carlinhos, grande amigo e ex aluno

Nesses tempos que antecederam a saída do visto, tivemos uma pizzada de despedida na casa de um grande amigo que ganhei no MTB, Paulo Toledo, companheiro e irmão que enfrentamos nossas demissões juntos, ele da empresa que trabalhava e eu da escola de São José que já comentei, ambos com um rolezinho de MTB nas trilhas da Univap, quintal de nossas casas.






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